Porquê o IINNCare
O exercício da enfermagem neonatal requer a construção individual e coletiva de conhecimento especializado e a contínua atualização desse conhecimento a partir de novas evidências produzidas. Os enfermeiros especialistas dispõem hoje de competências que lhes permitem liderar, nos seus contextos de trabalho e com o apoio das suas chefias, a implementação de práticas de enfermagem inovadoras. Contudo, os contextos organizacionais e as relações interprofissionais nem sempre são facilitadores desse ímpeto inovador.
Partindo de uma visão de cuidados neonatais promotores do desenvolvimento e centrados nos recém-nascidos e suas famílias (Altimier & Phillips, 2016), bem como na busca da melhoria contínua da qualidade dos cuidados, a finalidade deste projeto em rede transnacional é contribuir para o conhecimento no domínio da enfermagem neonatal, em particular sobre determinantes e estratégias de implementação de práticas de enfermagem neonatal inovadoras, informadas por evidências.
Motivação
A prematuridade e as suas complicações são a causa mais frequente da hospitalização no período neonatal, exigindo cuidados de enfermagem altamente diferenciados. A redução da mortalidade neonatal por causas evitáveis, e da morbilidade na sequência da prematuridade, contam-se entre as metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 (United Nations, 2015).
A crescente complexidade dos cuidados neonatais, fruto do desenvolvimento da medicina neonatal e da tecnologia de cuidados, bem como a produção imparável de evidências sobre os cuidados de enfermagem neonatal, colocam aos enfermeiros desta área enormes desafios em termos do seu desempenho. A estes, junta-se ainda, num paradigma que se pretende de cuidados centrados na família, o papel imprescindível que os enfermeiros desempenham junto dos pais, acompanhando e facilitando a sua transição para a parentalidade, numa situação de particular vulnerabilidade como é a do nascimento de um bebé prematuro ou doente.
Apesar da crescente facilidade em aceder à síntese de evidências, as dificuldades em transpor, na prática clínica, o fosso entre o saber e o fazer mantém-se. A produção, síntese e disseminação de conhecimentos não bastam para que sejam implementadas guidelines e práticas inovadoras baseadas em evidências. Têm sido identificadas múltiplas barreiras ao sucesso da implementação da evidência, relacionadas com a natureza e tipo de evidência, com o contexto, e com as estratégias de implementação, nomeadamente a facilitação (Harvey & Kitson, 2016). Há, pois, necessidade de aprofundar o conhecimento local sobre os determinantes e fatores do sucesso da implementação de práticas baseadas em evidências, ao mesmo tempo que se promove a implementação de práticas inovadoras. A complexidade da implementação tem levado à construção de uma base teórica alargada que sustenta a ciência da implementação (Kislov, Pope, Martin, & Wilson, 2019).
O desenvolvimento da prática requer desde logo a seleção e clarificação de referenciais teóricos que fundamentem a direção e prioridades de ação, bem como as metodologias a utilizar. Em segundo lugar, há necessidade de validar um subconjunto da terminologia CIPE® estabelecendo uma linguagem comum que permita a investigação de fenómenos e intervenções relevantes para a enfermagem neonatal e contribua igualmente para aperfeiçoar a documentação clínica de diagnósticos e intervenções.
A seleção dos fenómenos e intervenções que serão objeto de estudo dependerá da prioridade que for estabelecida em articulação com os contextos da prática e em função dos interesses/especialização dos participantes e da evidência disponível. A implementação de evidências será acompanhada do estudo dos fatores facilitadores e dificultadores da mesma.
Partindo de uma visão de cuidados neonatais promotores do desenvolvimento e centrados nos recém-nascidos e suas famílias (Altimier & Phillips, 2016), bem como na busca da melhoria contínua da qualidade dos cuidados, a finalidade deste projeto em rede transnacional é contribuir para o conhecimento no domínio da enfermagem neonatal, em particular sobre determinantes e estratégias de implementação de práticas de enfermagem neonatal informadas por evidências.
Referências
- Altimier, L., & Phillips, R. (2016). The Neonatal Integrative Developmental Care Model: Advanced Clinical Applications of the Seven Core Measures for Neuroprotective Family-centered Developmental Care. Newborn and Infant Nursing Reviews, 16(4), 230–244. https://doi.org/10.1053/j.nainr.2016.09.030
- Harvey, G., & Kitson, A. (2016). PARIHS revisited: From heuristic to integrated framework for the successful implementation of knowledge into practice. Implementation Science, 11(1), 33. https://doi.org/10.1186/s13012-016-0398-2
- Kislov, R., Pope, C., Martin, G. P., & Wilson, P. M. (2019, December 11). Harnessing the power of theorising in implementation science. Implementation Science. BioMed Central Ltd. https://doi.org/10.1186/s13012-019-0957-4
- United Nations. (2015). Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development | Department of Economic and Social Affairs. Retrieved March 22, 2021, from https://sdgs.un.org/publications/transforming-our-world-2030-agenda-sustainable-development-17981
- Wenger, E. (2010). Communities of practice and social learning systems: The career of a concept. Social Learning Systems and Communities of Practice, 179–198. https://doi.org/10.1007/978-1-84996-133-2_11
Objectivos
- Estudar fenómenos e intervenções de enfermagem ligados à parentalidade dos recém-nascidos de alto risco;
- Estudar fenómenos e intervenções de enfermagem ligados ao desenvolvimento dos recém-nascidos de alto risco;
- Desenvolver e validar instrumentos de avaliação de fenómenos relevantes em enfermagem neonatal;
- Validar a utilização de referenciais teóricos que sustentam a enfermagem neonatal;
- Validar a terminologia CIPE para os cuidados intensivos neonatais;
- Estudar a implementação de evidências em enfermagem neonatal.
Abordagem Metodológica
Para a consecução dos objetivos enunciados, a estratégia central é a construção de uma comunidade de prática com envolvimento e parceria das comunidades académica, clínica e de investigação em enfermagem neonatal, e apoiada pelas chefias das unidades neonatais. As comunidades de prática (CoP) têm sido associadas a um enorme potencial para a aprendizagem partilhada e a utilização desse conhecimento na prática, apresentando-se como uma estratégia de grande valor organizacional (Wenger, 2010).
Esta CoP, composta para já por docentes da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, enfermeiros das unidades neonatais de Coimbra e enfermeiros de Cabo-Verde, não exclui o seu alargamento a outras unidades da Região Centro e até a outros países.
Outras estratégias previstas passam pelo estabelecimento de parcerias com unidades de cuidados neonatais / instituições e com associações científicas e redes nacionais e internacionais.
A organização de subequipas para a realização dos estudos associados será efetuada por área de interesse/investimento dos diversos elementos, favorecendo sinergias e integração entre a academia e a clínica.
No âmbito do projeto, terá lugar a orientação de trabalhos de investigação para obtenção de grau académico e outros.
Através da articulação com os enfermeiros gestores, procurar-se-á criar oportunidades de formação para os profissionais que permitam a apropriação de novos conhecimentos com vista à sua utilização nos serviços.
Será tida em conta a importância do papel dos cidadãos na investigação, quer na sua produção, quer na utilização dos seus resultados. Assim, procurar-se-á o envolvimento das famílias nos estudos e na criação de meios de disseminação do conhecimento que promovam a literacia em saúde neonatal e infantil.
Em simultâneo, prevê-se que a utilização das TIC para esse efeito seja acompanhada pela criação de um espaço de partilha de recursos para os enfermeiros que trabalham em cuidados intensivos neonatais (artigos, orientações internacionais, links para outros recursos, testemunhos, entre outros).
Também orientadas para a comunidade em geral, serão efetuadas atividades de sensibilização como por exemplo, no Dia Mundial da Prematuridade.
Este projeto poderá ainda contar com parcerias já estabelecidas com o Grupo de Pesquisa em Enfermagem Saúde do Recém-Nascido e Família quer para realização de estudos em parceria, quer para a consultadoria.
Equipa
Ananda Fernandes
Professora Coordenadora da ESENFC; membro do conselho Geral da ESENFC; Doutoramento pela Universidade de Lisboa; Mestrado em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto; Curso de Pedagogia Aplicada ao Ensino de Enfermagem; Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica.
Ana Perdigão
Professora Adjunta da ESENFC; membro do Conselho Técnico-Científico; Doutoramento em Ciências de Enfermagem do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto; Mestrado - Toxicodependência e Patologia Psicossociais, Instituto Miguel Torga. Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica.
Manuel Gameiro
Professor Coordenador da ESENFC; membro do conselho Geral da ESENFC; Doutoramento pela universidade de Lisboa; Mestrado em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto; Curso de Pedagogia Aplicada ao Ensino de Enfermagem; Especialização em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica.
Maria Auxilia (Sissy)
Enfermeira Mestre em Saúde Infantil e Pediátrica-Neonatologia- HUAN- Cabo Verde
Professora Convidada UNICV
Ana Borges
Enfermeira Mestranda em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica – Neonatologia - HUAN Cabo verde
Ana Pinho
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia B – UCI, MBB-CHUC
Assistente/ Professora Convidada ESEnfC
Ana Rita Miranda
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM - CHUC
Daniela Diniz
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM - CHUC
Elsa Cardoso
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM - CHUC
Graça Cavaco
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM - CHUC
Isabel Arede
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, Neonatologia B – UCI, MBB-CHUC
Joana Silva
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria, Cirurgia Cardiotorácica, CHUC
Liliana Ferraz
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM-CHUC
Professora Convidada ESEnfC
Lúcia Paradela
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia B – UCI, MBB-CHUC
Paula Almeida
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM-CHUC
Professora Convidada ESEnfC
Patrick Gonçalves
Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM-CHUC
Rita Silva
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, Neonatologia A – UCI, MDM- CHUC

